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11.3.14

Estorvos















Há quem abandone seus velhos. Amigos, amores, cães, gatos e tudo mais. Pior: até pais e mães. Família. A coisa mais próxima. Ficou velho não presta mais, arruma-se outro. Assim passam os estorvos de nossas vidas quando já não temos por eles nenhum apego. Esquecendo e ignorando nossos estorvos também espantaremos nossas dores momentâneas. Só que nunca aquelas dores que são para sempre. Animais sofrem, choram, sentem dor, envelhecem, ficam carentes de cuidados e atenção. E, no entanto, há quem os abandone nas estradas, à própria sorte, à própria morte sofrida e completamente só. Pessoas também são abandonadas assim. Amores são abandonados assim. 

Tudo que não nos serve mais, em determinado momento, é abandonado assim. Por mais que tenham representado algo bom em nossas vidas um dia, são abandonados e desprezados. Sem mais nem menos. Sem constrangimentos, arrependimentos nem compaixão. Simplesmente devem ser deixados à beira da estrada, à própria sorte e à própria morte. E sempre sós, simplesmente porque a morte é coisa individual. Certamente porque acreditamos que algumas coisas mais úteis e oportunas sempre irão superar o lugar dos nossos estorvos que já não prestam mais. É assim que segue a vida.

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Publicado no Portal da Cidade de Cotia
http://cotia.portaldacidade.com/colunistas/2-marcos-gimenes-salun/35-estorvos
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