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1.10.18
SOBRAMES: Um breve relato
O Brasil tem um território de 8.516.000 km2. Aproximadamente 250 milhões de pessoas no mundo falam o idioma português, sendo que só o Brasil responde por cerca de 80% desse total. A população brasileira é de 213.843.978, segundo dados colhidos na internet em agosto de 2018. Desse total, 443.515 são médicos.
Como se sabe, muitos médicos brasileiros são ou foram também renomados escritores. Dentre eles destacamos: Pedro Nava, Afrânio Peixoto, Moacir Scliar, Guimarães Rosa, Drauzio Varella, Augusto Cury, Joaquim Manoel de Macedo, Ivo Pitanguy, Laurindo Rabelo e muitos outros.
Entusiasmado com um convite da UMEM – União Mundial de Escritores Médicos, o médico paranaense Eurico Branco Ribeiro foi o responsável pela criação da SBEM – Sociedade Brasileira de Escritores Médicos em 25 de abril de 1.965. A partir de novembro de 1.981 a denominação foi alterada para SOBRAMES – Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.
Desde sua criação até os dias atuais a Sobrames já teve os seguintes presidentes Nacionais: Gláucio Bandeira (PR) de 23.04.1965 a 20.05.1966; Paulo Mangabeira Albernaz (SP) de 20.05.1966 a 18.02.1968; Carlos da Silva Lacaz (SP) de 18.02.1968 a 20.02.1970; Octacílio de Carvalho Lopes (SP) de 20.02.1970 a 24.02.1972; Inaldo de Lyra Neves Manta (PE-RJ) de 24.02.1972 a 22.02.1974; Antonio Carlos Pacheco e Silva (SP) de 22.02.1974 a 20.02.1976; Luiz Ferreira dos Santos (PE) de 27.02.1976 a 18.02.1978; Duilio Crispim Farina (SP) de 18.02.1978 a 01.03.1979; Olivar Dias da Silva (MG) de 01.04.1979 a 29.03.1980; Mateus de Vasconcelos (RJ) de 29.03.1980 a 04.04.1982; Odívio Borba Duarte (PE) de 04.04.1982 a 17.05.1984; Ruy Miranda (PR) de 17.05.1984 a 24.04.1986; Tito de Abreu Fialho (RJ) de 24.04.1986 a 19.05.1988; Milton Henio Netto de Gouveia (AL) de 19.05.1988 a 26.08.1990; Urcício Santiago BA) de 26.08.1990 a 28.02.1992; Waldênio Florênicio Porto ((PE) de 28.02.1992 a 30.05.1994; Flerts Nebó (SP) de 20.05.1994 a 31.08.1996; Pedro Henrique Saraiva Leão (CE) de 31.08.1996 a 25.09.1998; Helio Begliomini (SP) de 25.09.1998 a 28.05.2000; Luiz Alberto Fernandes Soares (RS) de 28.05.2000 a 18.11.2002; Renato Passos (MG) de 19.11.2002 a 2004; Luiz Alberto Fernandes Soares (RS) de 2004 a 2006; Luiz Alberto Fernandes Soares (RS) de 2006 a 31.12.2008; José Maria Chaves (CE) de 01.01.2009 a 31.12.2010; Marco Aurélio Baggio (MG) de 01.01.2011 a 31.12.2012: Sérgio Augusto de Munhoz Pitaki (PR) de 01.01.2013 a 31.12.2014; Luiz de Gonzaga Braga Barreto (PE) de 01.01.2015 a 31.12.2016; e Josyanne Rita de Arruda Franco (SP) de 01.01.2017 a 31.12.2018, sendo ela a primeira mulher a exercer a presidência Nacional da SOBRAMES em seus 53 anos de história.
A diversidade de talentos da SOBRAMES está em consonância com o regionalismo de suas unidades federadas. A entidade conta com representantes em quase todas as unidades da federação, com 213 médicos escritores de literatura não científica. A produção literária é fortemente influenciada pelas raízes e origens dos médicos escritores e dos muitos talentos na música e nas artes plásticas.
Na gestão 2017-2018 a SOBRAMES, cuja diretoria completa foi eleita no XXVI Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores realizado em São Paulo de 22 a 24 de setembro e que encontra-se nas páginas seguintes, teve a seguinte composição principal: Presidente NACIONAL: Dra. Josyanne Rita de Arruda Franco, de Jundiaí (SP); Vice-presidente Região NORTE (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins): Dra. Ana Higina Agra, de Macapá (AP); Vice-presidente Região NORDESTE (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande no Norte e Sergipe): Dr. Lúcio Antônio Prado Dias, de Aracajú (SE); Vice Presidente Região CENTRO-OESTE (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul): Dr. Waldemar Naves do Amaral, de Goiânia (GO); Vice Presidente Região SUDESTE (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo): Dra. Rosiclélia Matuk, do Rio de Janeiro (RJ); e Vice-presidente Região SUL (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina): Dr. José Warmuth Teixeira, de Tubarão (SC).
A SOBRAMES atual tem como principais atividades: a) realização de Congressos Nacionais, já tendo sido promovidos 26 até esta data, sendo São Luis (MA) a sede do 27º Congresso; b) Promoção de EVENTOS ESTADUAIS, como Jornadas Literárias, saraus e reuniões literárias mensais; c) Produção e edição de LIVROS, tais como Antologias e Coletâneas, além de livros individuais de muitos associados; d) produção de periódicos e boletins noticiosos, dos quais destacamos: Revista CENTELHA produzida pela direção nacional na gestão 2017-2018, jornal O BANDEIRANTE (regional São Paulo), boletim GRALHA AZUL (regional Paraná), boletim PR(ESCREVER) da regional SERGIPE e boletim CASACA DE COURO (regional Pernambuco).
Algumas regionais também mantêm publicações regulares em sites e blogs na internet, com destaques para São Paulo, Pernambuco e Minas Gerais. Na gestão 2017-2018 a Presidência Nacional também criou um BLOG no qual publicou dezenas de autores de todo o Brasil, além de noticiário.
Este é o mundo cultural da SOBRAMES: um Universo chamado Brasil. Este breve relato foi também o roteiro do filme produzido pela RUMO EDITORIAL, com argumento de Josyanne Rita de Arruda Franco, roteiro e direção de Marcos Gimenes Salun. O filme foi realizado especialmente para apresentação no XI Congresso da UMEAL – União de Médicos Escritores e Artistas Lusófonos realizado em MACAU, de 1 a 4 de novembro de 2017, onde Josyanne representou a SOBRAMES, tendo na ocasião, sido eleita presidente da UMEAL para o biênio 2018-2019.
Clique aqui >>> ASSISTA O FILME
***
Publicado no livro "Universo Literário" - Rumo Editorial - SP - 2018
13.9.16
SOBRAMES - Regional do Estado de São Paulo
Breve resumo histórico
A Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Sobrames – foi
fundada na cidade de São Paulo, em 23 de abril de 1965, por
Eurico Branco Ribeiro, notável cirurgião e literato, radicado nesta
capital, oriundo de Guarapuava – Paraná. O primeiro nome da entidade era
“Sociedade Brasileira de Escritores Médicos” – Sbem.
A Sociedade expandiu-se e em vários estados foram
abertas regionais. O estado de São Paulo foi o quinto a ter uma regional,
fundada em 28 de dezembro de 1971, uma vez que, nos primeiros anos, a atuação
da diretoria da entidade nacional, por se localizar no mesmo domicílio, supria
a demanda administrativa estadual.
Em 27 de dezembro de 1979, numa Assembléia Geral realizada na
cidade de Belo Horizonte, resolveu-se modificar o nome da entidade
para Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Sobrames, uma vez
que seus protagonistas defendiam a ideia de que seus membros eram primeiramente
médicos e depois escritores.
Tal modificação foi aceita por todos os estados, menos
pelos membros de São Paulo, uma vez que defendiam a tradição do nome.
Não houve acordo. Os paulistas da Sbem não acataram a decisão
democrática, segregando-se dos escritores das regionais da Sobrames. A
Sbem de São Paulo caminhou sozinha por mais alguns anos, fazendo
questão de não ter qualquer vinculação com a Sobrames, e desapareceu.
A atual
regional paulista da Sobrames foi fundada em 16 de setembro de 1988, na
Pizzaria Ilha de Cós, na Rua Pedro de Toledo, no bairro de Vila Clementino,
graças ao estímulo de membros da regional do Rio de Janeiro, destacando-se
os nomes de Maria José Werneck, Syllos de Sant’ Anna Reis e Paulo Silva de
Oliveira, (Paulo Fatal). Nessa reunião foi eleita, por aclamação, a primeira
diretoria, assim composta: Presidente: Flerts Nebó; Vice-presidente: Helio
Begliomini; 1o Secretário: Luiz Jorge Ferreira; 2o Secretário: Carlos
Henry Levy Sandoval; Tesoureiro: Tarceu Pinto de Souza; Orador: Amauri José
Dorini; Vogais: Maria Arlete de A. Moreira e Wilton Viana.
Foram
considerados membros fundadores, conforme publicado na edição do jornal “O
Bandeirante”, nº 60, de novembro de 1997 (em ordem alfabética): Aida Lúcia P.
Dal Sasso Begliomini, Amaury Jose Dorini, Aziz Ansarah Rizek, Carlos Alberto
Pessoa Rosa, Carlos Henry Levy Sandoval, Carlos Luiz Campana, Djalmas Miguel
Gonzáles, Durval Rosa Borges, Fernando Teixeira Mendes, Flerts Nebó, Helio
Begliomini, Helmut Adolph Mataré, Hildette Rangel Enger, José Daipré, Josef
Tock, Luiz Jorge Ferreira, Madalena Jesuína G. M.Nebó, Manlio Mario Marco
Napoli, Maria Arlene de A. Moreira, Mário Name, Mateus Romeiro Neto, Mercedes Gomes Guimarães, Mércia Lúcia de Melo N.Chade,
Miguel Falci, Miguel João Yasbeck Neto, Olindo
de Luca, Pedro Elias Makaron, Régis Cavini Ferreira, Salomão Azar Chaib, Tarceu
Pinto de Souza, Vera Lúcia Teixeira, Walter Pinheiro Nogueira e Wilton Viana.
Os membros da Sobrames de São Paulo, desde o seu início, nunca se
consideraram continuadores do núcleo de médicos escritores paulistas denominado
Sbem, mas sim, iniciadores de uma nova regional da Sobrames nacional que,
através da atuação incisiva e carinhosa de membros da regional fluminense, os
incentivou e os acolheu, abrindo-lhes as portas e dando-lhes abrigo na entidade
nacional.
Este registro histórico é descrito com todos os seus detalhes na
obra de Helio Begliomini e Marcos Gimenes Salun publicada em setembro de 2008,
por ocasião da comemoração dos primeiros 20 anos de história da regional de São
Paulo: SOBRAMES PAULISTA – compêndio dos
seus vinte anos de hitória (1988/2008) – Helio Begliomini e Marcos Gimenes
Salun – Rumo Editorial – São Paulo - 2008 – ISBN 978-85-60380-08-4.
FAÇA DOWNLOAD DESTA OBRA:
Na mencionada obra foi feito um minucioso registro de tudo o que
aconteceu no período dos primeiros 20 anos da regional paulista. Com base em
farta documentação pesquisada e hoje disponível no acervo da Sobrames, o volume
é uma preciosa contribuição para a história da sociedade. Ainda encontram-se
disponíveis com os autores alguns exemplares impressos da obra. Os interessados
poderão obter um exemplar em contato direto com eles. O livro está também
disponível em edição eletrônica, em arquivo PDF, que poderá ser baixada através
do BLOG da Sobrames-SP, do qual se falará mais adiante.
Sobrames paulista nos dias de hoje
No ano de 2015, quando se comemora o Jubileu de Ouro da Sobrames
no Brasil, a regional paulista completa 27 anos de existência, de acordo com o
relato acima. Nesse período tem mantido atividades de maneira ininterrupta,
sempre com ativa participação de seus associados, convidados, amigos e confrades
de todas as regionais no país.
Congrega atualmente cerca de sessenta membros ativos entre titulares,
acadêmicos, colaboradores, eméritos, honorários e beneméritos. Basicamente a
sociedade é constituída por médicos escritores de literatura não-científica, além de
escritores de outras formações profissionais, tendo em seu quadro advogados,
engenheiros, jornalistas, dentistas, arquitetos, dentre outros.
Suas atividades são bastante diversificadas, indo de encontros
literários mensais, as tradicionais e conhecidas Pizzas Literárias, até a
realização de Jornadas, Congressos e outros encontros, tais como a “Balada
Literária”, espécie de sarau já realizado em três oportunidades, congregando
autores, músicos, cantores e outros artistas numa única festa. Por outro lado,
a produção literária de seus associados é muito profícua, seja através de obras
individuais, das Coletâneas e Antologias publicadas anualmente, do jornal
mensal e de publicações virtuais através do BLOG.
As diretorias que se renovam a cada biênio têm mantido a
regional paulista sempre num rítmo acentuado, buscando a cada dia proporcionar
aos associados um destaque cada vez maior no cenário da literatura amadora do
país e promovendo a interação cada dia maior com os confrades de todas as
demais regionais da Sobrames. Reunindo-se mensalmente em sua sede, na
Associação Paulista de Medicina – APM, a diretoria planeja e coloca em prática
inúmeras ações para o fortalecimento da sociedade. Nos tópicos a seguir
destacamos algumas informações sobre essas atividades.
Pizzas Literárias
Em 1989 surgiu a ideia de se reunir os colegas ao redor de uma
mesa de pizza, como acontecera por ocasião da fundação da entidade. A reunião mensal
tornou-se uma tradição e foi intitulada “Pizza Literária”. Desde então é
realizada em uma pizzaria de São Paulo, com uma frequência que costuma beirar
trinta pessoas. Nesta, além de se saborear uma deliciosa pizza, tomar um chope
e bater papo com os amigos, tem-se a oportunidade de ouvir os trabalhos dos
colegas e também apresentar os seus. Tem-se, também, a possibilidade de
encontrar colegas de outras especialidades e formados nas mais diversas
faculdades, além de sócios não médicos das mais variadas profissões. Todos com
uma paixão em comum: a literatura.
Em abril de 2015 a Sobrames-SP realizou a Pizza Literária de nº
297. Na página 91 do livro “SOBRAMES PAULISTA” há uma série de informações
interessantes sobre essas reuniões dos primeiros 20 anos da regional. Ao longo
do tempo, as reuniões foram mudando de lugar em virtude de várias ocorrências,
já tendo passado por sete pizzarias diferentes na capital paulista. As reuniões
de 2015 têm acontecido na terceira quinta-feira de cada mês, no salão superior
da Pizzaria BONDE PAULISTA, que fica na Rua Oscar Freire, 1597, bairro de Cerqueira
Cezar, à partir de 19h30.
O clima sempre festivo desses encontros tem atraído muitos
visitantes de outras entidades literárias com as quais a Sobrames-SP mantém intercâmbio,
além de estudantes de medicina e inúmeros médicos escritores que após a
primeira visita acabam se encantando com o acolhedor ambiente e tornam-se associados
ou frequentadores assíduos.
Jornadas
Literárias Paulistas
A cada dois anos a Regional de São Paulo promove uma Jornada
Médico-literária, congregando membros de várias regionais e, em algumas
ocasiões, médicos escritores de outros países. As jornadas já se realizaram em
diversas cidades do interior paulista e também na capital do estado: Jundiaí –
27 a 29 de setembro de 1991; Bragança
Paulista – 28 a 30 de maio de 1993; Santos – 24 a 26
de novembro de 1995; Campos do Jordão – 28 a 30 de agosto de
1997; Águas de São Pedro – 16 a 19 de setembro de 1999; Botucatu
– 27 a 30 de setembro de 2001; Campos do Jordão – 25 a 28 de
setembro de 2003; Serra Negra - 22 a 25 de setembro de 2005; Jundiaí
– 27 a 29 de setembro de 2007; São Paulo - 17 a 19 de setembro de
2009. Esta jornada foi realizada conjuntamente com a V Jornada Nacional da
Sobrames e com a VI Sobramíada do Ceará; Itu - 22 a 25 de setembro de
2011; e Botucatu - 26 a 29 de setembro de 2013, evento que congregou
também a VII Jornada Nacional da Sobrames. Em 2015 a XIII Jornada
Médico-Literária Paulista será realizada na cidade de São Paulo, de 26 a 29 de
agosto, nas dependências da Associação Paulista de Medicina.
No livro “SOBRAMES PAULISTA”, a partir da página 164, poderão ser
encontrados maiores detalhes sobre participantes das jornadas ocorridas até
2007. Já no BLOG da Sobrames-SP, além dessas informações, estão disponíveis
para download os Anais completos das edições de 2003 em diante.
Congressos
Nos anos pares são
realizados os Congressos Brasileiros da SOBRAMES, congregando todas as
regionais. A regional do Estado de São Paulo já sediou e organizou esses
congressos nos anos de 1994 e 1998. Nos demais congressos realizados e
organizados por outras regionais sempre houve a participação de representantes
da regional São Paulo. Durante o último Congresso realizado no Estado de Pernambuco,
uma vez mais a regional de São Paulo foi prestigiada para receber o XXVI
Congresso Brasileiro.
Eventos
internacionais
Vários membros da
regional paulista fazem parte ou participam em algumas associações de
escritores médicos em outros países, dentre estas: LISAME - Liga Sul Americana de Médicos Escritores, com sede em
Buenos Aires – Argentina; UMEM –
União Mundial de Escritores Médicos, com sede em Lisboa – Portugal, cujo
congresso realizado em Viana de Castelo
- Portugal, de 27 de setembro a 3 de outubro de 2004, contou com representação
da Sobrames paulista; UMEAL – União
de Médicos Escritores e Artistas de Língua Lusófona, com sede em Lisboa –
Portugal; AMEAM:
Associação de Médicos Escritores e Artistas de Moçambique, com sede na cidade
de Maputo.
Além destes, a
Sobrames-SP estabeleceu recentemente intercâmbio cultural com a AME – Asociación de Médicos Escritores
da Guatemala, tendo vários de seus membros participado com publicação de
trabalhos em portugues e espanhol na Antologia Latinoamericana, publicada por
ocasião da realização do I Congreso Guatemalteco e X Congreso Latinoamericano
de Médicos Escritores realizado em Guatemala-Antigua de 22 a 25 de outubro de
2014.
O
Bandeirante
Desde 1992 a Sobrames
publica o informativo mensal “O Bandeirante” que é distribuído aos
membros da regional paulista, diversos confrades de outras regionais, além de
entidades culturais no Brasil e no exterior. Por vários anos publicou também um
suplemento literário denominado “Páginas Sobrâmicas”, trazendo textos
literários dos membros da regional de São Paulo. A partir de 2001 a publicação
ganhou o título de “Suplemento Literário”, e continua sendo publicado
mensalmente incorporado ao jornal “O Bandeirante”.
Desde janeiro de
2006 o jornal “O Bandeirante” passou a ser distribuído pela internet, estando
as edições de janeiro de 2006 em diante disponíveis para donwload no BLOG da
Sobrames, em diversos sites e em redes sociais. Além dessa divulgação, a
distribuição é feita por email para mais de 1000 destinatários no Brasil e no
Exterior. Em abril de 2015 a publicação chegou à edição de nº 269.
Antologia
Paulista
Em 1999 foi
editada a “I Antologia Paulista”, contendo todos os trabalhos das “Páginas
Sobrâmicas” nos seus dois primeiros anos de publicação (abril 1997 a março de
1999). Em 2000 foi publicada a II Antologia Paulista, desta vez com trabalhos
inéditos dos sócios que se encontravam disponíveis no acervo da Sobrames sob a
guarda do então presidente, Walter Whitton Harris. A série de antologias continuou
e já conta com nove volumes, tendo os demais sido publicadas em 2001, 2003,
2005, 2007, 2009, 2011 e 2013. Já está no prelo e com data de lançamento
marcada para acontecer durante a Jornada Médico-Literária Paulista em agosto de
2015, a décima edição dessa série de livros, desta feito com os trabalhos
publicados no Jornal “O Bandeirante” no período de abril de 2013 a março de
2015.
Um histórico
completo sobre essa série de Antologias pode ser encontrado a partir da página
128 do livro “SOBRAMES PAULISTA”, abrangendo o período até o ano de 2007, bem
como no BLOG da sociedade, com atualização até o presente momento. Esta
publicação é integralmente paga com recursos da Sobrames-SP e tem distribuição
gratuíta aos autores e demais membros.
Coletâneas
A Sociedade já editou treze coletâneas com trabalhos dos membros.
Esta série de livros atualmente é publicada nos anos pares e as edições são
produzidas em sistema cooperativo entre os autores participantes.
Até o momento já foram publicados os seguintes volumes: “Por um
Lugar ao Sol” (1990); “A Pizza Literária” (1993); “A Pizza Literária - segunda
fornada” (1995); “Criação” (1996); “A Pizza Literária - quinta fornada” (1998);
“A Pizza Literária - sexta fornada” (2000); “A Pizza Literária – sétima
fornada” (2002); Pizza Literária – oitava fornada” (2004); “A Pizza
Literária – nona fornada” (2006); “A Pizza Literária - décima fornada” (2008);
“A Pizza Literária - décima primeira fornada” (2010); “A Pizza Literária -
décima segunda fornada” (2012); e “A Pizza Literária – décima terceira fornada”
(2014).
O histórico dessa publicação, assim como seus detalhes, constam no
livro “SOBRAMES PAULISTA”, a partir da página 116, com informações até a edição
de 2006, e também no BLOG da sociedade, com atualização até os dias atuais.
Coleção
Letra de Médico
A partir de 2015 a regional do estado de São Paulo está dando
início a um projeto de publicação de obras individuais de autores membros das
diversas regionais da Sobrames e autores médicos mesmo que não afiliados,
através de sistema de consórcio cooperativo entre os participantes.
O primeiro grupo de doze autores já está formado e a publicação dos
livros, um a cada mês, terá início a
partir do mês de abril de 2015. Esta iniciativa pioneira idealizada na gestão
da ex-presidente Josyanne Rita de Arruda Franco, permitirá a formação de um
valioso acervo com a edição de obras individuais de autores médicos com
condições especialmente vantajosas.
Concursos
literários
Em 1997, foi
instituído o concurso para a melhor poesia do ano, com o nome de “Prêmio Bernardo de Oliveira Martins”, que
corresponde a uma medalha cunhada especialmente para o prêmio e mais duas
menções honrosas. Em abril de 2015 ele foi entregue pela 16ª vez,
correspondendo ao período de 2013/2014. A
partir de 1999 foi instituído o concurso para a melhor prosa do ano, com o nome
de “Prêmio Flerts Nebó”, que corresponde a uma placa especialmente gravada para
o prêmio e mais duas menções honrosas. Em março de 2015 ele foi entregue pela
14ª vez, correspondendo ao período de 2013/2014.
Desses dois
concursos participam todos os membros da Sobrames-SP que apresentam seus textos
durante as Pizzas Literárias e entregam cópia de seus trabalhos. Estes dois certames
visam dar estímulo à criatividade dos autores membros da regional, tendo em
vista a característica meramente diletante de seus participantes. Os
regulamentos e o detalhamento dos vencedores de todas as edições constam no
BLOG da regional São Paulo. Os julgadores desses concursos têm sido convidados
dentre membros de outras regionais e entidades literárias, a quem os trabalhos
são fornecidos sem qualquer identificação de autoria.
Além dos prêmios
de prosa e poesia já citados, trimestralmente acontece um “desafio literário”
intitulado SUPERPIZZA, onde os escritores são convidados a produzir um texto em
prosa ou verso sobre um tema sugerido. Ao melhor texto produzido na opinião de
um jurado especialmente convidado para avaliação é ofertada como mimo uma garrafa
de vinho.
Prêmios
de incentivo
Em janeiro de
2007 foram introduzidos dois novos prêmios que têm como objetivo incentivar os
integrantes da sociedade a participar de suas atividades. Trata-se do “Prêmio
Rodolpho Civile”, de assiduidade, e que contempla com um certificado os membros
mais assíduos às reuniões mensais das Pizzas Literárias durante o período de um
ano. O outro é o “Prêmio Aldo Mileto” de melhor desempenho, cujo certificado é
entregue ao membro que atendeu a um conjunto de requisitos, tais como
publicações, participações em jornadas e congressos e frequência, dentre outros,
também no período de um ano.
Diretoria
A cada dois anos a Sociedade
Brasileira de Médicos Escritores, regional do Estado de São Paulo elege em Assembleia
Geral Ordinária uma nova diretoria. Para o biênio 2015/2016 a diretoria está
assim composta: Presidente: Carlos
Augusto Ferreira Galvão; Vice-presidente:
Márcia Etelli Coelho; Primeiro
Secretário: Marcos
Gimenes Salun; Segundo Secretário: Maria do Céu Coutinho Louzã; Primeiro Tesou-reiro: Helio
Begliomini; Segundo
Tesoureiro: Aida Lúcia Pullin
Dal Sasso Begliomini; Conselho Fiscal (efetivos): Josyanne Rita de Arruda Franco,
José Alberto Vieira e Roberto Antonio Aniche; Conselho
Fiscal (suplentes): Alcione Alcântara Gonçalves, Geovah Paulo da Cruz e
Mércia Lúcia de Mello Neves Chade.
Blog
da Sobrames-SP
Desde 2011 a
Sobrames-SP mantém um BLOG onde se encontram textos literários de seus autores,
bem como informações detalhadas sobre seu Estatuto, composição das diretorias
desde a fundação, fotos e dados biográficos de associados (ativos e inativos), regulamentos
de concursos de prosa e verso, donwload de publicações tais como o jornal “O
Bandeirante” e Anais de algumas das Jornadas Literárias e muito mais. Está
sendo reformulada a página relativa a “Livros”, que em breve conterá
informações sobre publicações hoje constantes do acervo da regional.
Em março de 2014
o blog contava com a marca que superava 34.700 visitas vindas de dezenas de
cidades de todos os estados brasileiros, e de mais de 44 países, conforme informações
de um programa instalado no mesmo. O endereço do BLOG é:
Sede
Depois de longos anos em que a sede era itinerante (normalmente na
residência de algum diretor ou de seu presidente) e o acervo da sociedade
permacecia guardado de maneira dispersa nas residências destes; e graças a
muitos esforços empreendidos por várias gestões de diretoria, finalmente a
Sobrames-SP conseguiu ter sua sede.
A partir de 2013 a sede está
localizada no prédio da Associação Paulista de Medicina, na Avenida Brigadeiro
Luis Antonio, 278 - 7º andar - Sala1 - CEP. 01318-000 - Bela Vista - São Paulo
- SP. Ali acontecem as reuniões mensais da diretoria, sempre abertas a todos os
associados interessados em participar. Na sede também está preservado o acervo
histórico e literário da sociedade, cuja biblioteca já conta com mais de 500
volumes de livros e publicações de médicos escritores, ora em fase de
organização e catalogação, para que fique disponível a todos os associados e
interessados.
Como
participar
Podem tornar-se membros da Sociedade Brasileira de Médicos
Escritores todos os médicos, de qualquer especialidade, e todos os acadêmicos
de medicina, em qualquer ano do curso, mediante simples solicitação de sua
inscrição, e bastando que sejam também escritores de literatura não-científica,
em qualquer gênero literário (romance, crônica, conto, poesia, ensaios, etc.).
Também podem tornar-se membros da Sobrames-SP escritores de
qualquer outra formação profissional, apresentados por membros da sociedade. A
solicitação será aprovada mediante análise da diretoria e existência de quorum
na forma de seu estatuto. Os membros contribuem financeiramente com uma
anuidade de pequeno valor. Os custos de algumas atividades da Sobrames-SP são
pagos pelos participantes, como por exemplo, despesas de hospedagem em
congressos e jornadas, despesas de consumo nas reuniões denominadas Pizzas
Literárias, participação em publicações cotizadas entre os autores, dentre
outras.
Dados
Bibliográficos:
- Begliomini, Helio e Salun, Marcos
Gimenes – “Sobrames Paulista – compêndio dos seus vinte anos de história
(1998-2008)” – Rumo Editorial – São Paulo – 2008 – ISBN 978-85-60380-08-4
- Edições avulsas da publicação mensal
“O Bandeirante” – editores atuais Marcos Gimenes Salun e Josyanne Rita de
Arruda Franco.
_____________________________________
Publicado no livro "Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - JUBILEU DE OURO"
Editora Usina do Livro - Belo Horizonte - MG - 2015
17.12.08
Machado de Assis: O Bruxo do Cosme Velho
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839 e morreu em 29 de setembro de 1908, também no Rio de Janeiro. Comemora-se portanto, em 2008, o centenário da morte do “Bruxo do Cosme Velho”. Foi romancista, contista, poeta e teatrólogo, considerado um dos mais importantes nomes da literatura brasileira e identificado, pelo crítico Harold Bloom, como o maior escritor afro-descendente de todos os tempos.
Sua vasta obra inclui também crítica literária. É considerado um dos criadores da crônica no país, além de ser importante tradutor, vertendo para o português obras como Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo e o poema O Corvo, de Edgar Allan Poe. Foi também um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e seu primeiro presidente.
Sua tragetória literária foi influenciada por nomes como William Shakespeare, Voltaire, Arthur Schopenhauer, José de Alencar, La Rochefoucauld e Edgar Allan Poe, dentre muitos. Por outro lado, exerceu profunda influência sobre autores do naipe de Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Cyro dos Anjos, Murilo Rubião e uma infinidade de admiradores e seguidores, até os dias atuais.
Bruxo do Cosme Velho é um epíteto consagrado a Machado de Assis que ganhou força no meio literário quando Carlos Drummond de Andrade publicou o poema: "A um bruxo, com amor", no qual o poeta fez referência à casa número 18 da rua Cosme Velho, situada no bairro de mesmo nome, no Rio de Janeiro, onde morou Machado. O poema toma a casa como ponto de partida, como um passaporte para a proximidade com Machado, e, a partir daí, faz um "passeio" pela obra do autor.
Machado era filho do mulato Francisco José de Assis, pintor de paredes e descendente de escravos alforriados, e de Maria Leopoldina Machado, uma lavadeira portuguesa da Ilha de São Miguel. Machado de Assis, que era canhoto, passou a infância na chácara de D. Maria José Barroso Pereira, viúva do senador Bento Barroso Pereira, na Ladeira Nova do Livramento, no Rio de Janeiro, onde sua família morava como agregada. Tinha saúde frágil, era epilético e gago. Sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Ficou órfão de mãe muito cedo e também perdeu a irmã mais nova. Não freqüentou escola regular, mas, em 1851, com a morte do pai, sua madrasta Maria Inês, à época morando no bairro em São Cristóvão, empregou-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, tornou-se vendedor de doces. Nesse colégio teve contato com professores e alunos e é provável que tenha assistido às aulas quando não estava trabalhando.
Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender e se tornou um dos maiores intelectuais do país, ainda muito jovem. Em São Cristóvão, conheceu a senhora francesa Madamme Gallot, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de francês, que Machado acabou por falar fluentemente, tendo traduzido o romance Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo, na juventude. Também aprendeu inglês, chegando a traduzir poemas deste idioma, como O Corvo, de Edgar Allan Poe. Posteriormente, estudou alemão, sempre como autodidata.
De origem humilde, Machado de Assis iniciou sua carreira trabalhando como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Oficial, cujo diretor era o romancista Manuel Antônio de Almeida. Em 1855, aos quinze anos, estreou na literatura, com a publicação do poema "Ela" na revista Marmota Fluminense. Continuou colaborando intensamente nos jornais, como cronista, contista, poeta e crítico literário, tornando-se respeitado como intelectual antes mesmo de se firmar como grande romancista. Machado conquistou a admiração e a amizade do romancista José de Alencar, principal escritor da época.
Em 1864 estréia em livro, com Crisálidas (poemas). Em 1869, casa-se com a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã do poeta Faustino Xavier de Novais e quatro anos mais velha do que ele. Em 1873, ingressa no Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, como primeiro-oficial. Posteriormente, ascenderia na carreira de servidor público, aposentando-se no cargo de diretor do Ministério da Viação e Obras Públicas.
Podendo dedicar-se com mais comodidade à carreira literária, escreveu uma série de livros de caráter romântico. É a chamada primeira fase de sua carreira, marcada pelas obras: Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), e Iaiá Garcia (1878), além das coletâneas de contos Contos Fluminenses (1870), Histórias da Meia Noite (1873), das coletâneas de poesias Crisálidas (1864), Falenas (1870), Americanas (1875), e das peças Os Deuses de Casaca (1866), O Protocolo (1863), Queda que as Mulheres têm para os Tolos (1864) e Quase Ministro (1864).
Em 1881, abandona, definitivamente, o romantismo da primeira fase de sua obra e publica Memórias Póstumas de Brás Cubas, que marca o início do realismo no Brasil. O livro, extremamente ousado, é escrito por um defunto e começa com uma dedicatória inusitada: "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas". Tanto Memórias Póstumas de Brás Cubas como as demais obras de sua segunda fase vão muito além dos limites do realismo, apesar de serem normalmente classificados nessa escola. Machado, como todos os autores do gênero, escapa aos limites de todas as escolas, criando uma obra única.
Na segunda fase suas obras tinham caráter realista, tendo como características: a introspecção, o humor e o pessimismo com relação à essência do homem e seu relacionamento com o mundo. Da segunda fase, são obras principais: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1892), Dom Casmurro (1900), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908), além das coletâneas de contos Papéis Avulsos (1882), Várias Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1906), Relíquias da Casa Velha (1906), e da coletânea de poesias Ocidentais. Em 1904, morre Carolina Xavier de Novaes, e Machado de Assis escreve um de seus melhores poemas, Carolina, em homenagem à falecida esposa. Muito doente, solitário e triste depois da morte da esposa, Machado de Assis morreu em 29 de setembro de 1908, em sua velha casa no bairro carioca do Cosme Velho. Nem nos últimos dias, aceitou a presença de um padre que lhe tomasse a confissão. Bem conhecido pela quantidade de pessoas que visitaram o escritor carioca em seus últimos dias, como Mário de Alencar, Euclides da Cunha e Astrogildo Pereira (ainda rapaz e por isso desconhecido dos demais escritores), ficcionalmente o tema da morte de Machado de Assis foi revisto por Haroldo Maranhão.
É considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores escritores do mundo, enquanto romancista e contista. Suas crônicas não têm o mesmo brilho e seus poemas têm uma diferença curiosa com o restante de sua produção: ao passo que na prosa Machado é contido e elegante, seus poemas são algumas vezes chocantes na crueza dos termos -- similar talvez à de Augusto dos Anjos.
O crítico norte-americano Harold Bloom considera Machado de Assis um dos 100 maiores gênios da literatura de todos os tempos (chegando ao ponto de considerá-lo o melhor escritor negro da literatura ocidental), ao lado de clássicos como Dante, Shakespeare e Cervantes. A obra de Machado de Assis vem sendo estudada por críticos de vários países do mundo. O estilo literário de Machado de Assis tem inspirado muitos escritores brasileiros ao longo do tempo e sua obra tem sido adaptada para a televisão, o teatro e o cinema. Em 1975, a Comissão Machado de Assis, instituída pelo Ministério da Educação e Cultura, organizou e publicou as edições críticas de obras de Machado de Assis, em 15 volumes. Suas principais obras foram traduzidas para diversos idiomas e grandes escritores contemporâneos como Salman Rushdie, Cabrera Infante e Carlos Fuentes confessam serem fãs de sua ficção, como também o confessou Woody Allen. A Academia Brasileira de Letras criou o Espaço Machado de Assis, com informações sobre a vida e a obra do escritor.
Machado em suas obras interpela o leitor, ultrapassando a chamada quarta parede, nisso tendo sido influenciado por Manuel Antonio de Almeida, que já havia utilizado a técnica, bem como Miguel de Cervantes, e outros autores, mas nenhum deles com tanta ênfase quanto Machado.
Machado de Assis foi um exímio jogador de xadrez, tendo formulado problemas enxadrísticos para diversos periódicos. Participou do primeiro campeonato disputado no Brasil, ficando em terceiro lugar. Em muitas de suas obras, faz menções ao jogo, como por exemplo, em Iaiá Garcia.
Machado de Assis já foi retratado como personagem no cinema, interpretado por Jaime Santos no filme "Vendaval Maravilhoso" (1949) e Ludy Montes Claros no filme "Brasília 18%" (2006). Também teve sua efígie impressa nas notas de NCz$ 1,00 (um cruzado novo; até 1989, com valor de mil cruzados) de 1987.
Obra - Toda a obra de Machado de Assis é de domínio público, por ter expirado o correspondente direito de autor em 1978, ao se completarem 70 anos do falecimento do autor. Foi a obra brasileira que melhor ilustrou a tendência do "leitor incluso", um contraponto dialógico com o leitor, não apenas como um vocatico, mas dando ao leitor vida própria e contornos no interior do texto. O leitor é visto com possuidor de posicionamento crítico, gestos e temperamento. Estes trechos que incluem o leitor têm sempre uma natureza baseada numa reflexão, uma metalinguagem da estrutura e corrente ideológica. Eis as obras de Machado de Assis:
Romance
Ressurreição, 1872
A mão e a luva, 1874
Helena, 1876
Iaiá Garcia, 1878
Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881
Casa Velha, 1885
Quincas Borba, 1891
Dom Casmurro, 1899
Esaú e Jacó, 1904
Memorial de Aires, 1908
Poesia
Crisálidas, 1864
Falenas, 1870
Americanas, 1875
Ocidentais, 1880
Poesias completas, 1901
Livros de contos
Contos Fluminenses, 1870
Histórias da Meia-Noite, 1873
Papéis Avulsos, 1882
Histórias sem Data, 1884
Várias Histórias, 1896
Páginas Recolhidas, 1899
Relíquias da Casa Velha, 1906
Alguns contos
A Carteira (conto do livro Contos Fluminenses)
Miss Dollar (conto do livro Contos Fluminenses)
O Alienista (conto do livro Papéis Avulsos)
A Sereníssima República (conto do livro Papéis Avulsos)
O Segredo do Bonzo (conto do livro Papéis Avulsos)
Teoria do Medalhão (conto do livro Papéis Avulsos)
Uma Visita de Alcibíades (conto do livro Papéis Avulsos)
O Espelho (conto) (conto do livro Papéis Avulsos)
Noite de Almirante (conto do livro Histórias sem Data)
Um Homem Célebre (conto do livro Várias Histórias)
Conto da Escola (conto do livro Várias Histórias)
Uns Braços (conto do livro Várias Histórias)
A Cartomante (conto do livro Várias Histórias)
O Enfermeiro (conto do livro Várias Histórias)
Trio em Lá Menor ((conto do livro Várias Histórias)
O Caso da Vara (conto do livro Páginas Recolhidas)
Missa do Galo (conto do livro Páginas Recolhidas)
Almas Agradecidas
Teatro
Hoje avental, amanhã luva, 1860
Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861
Desencantos, 1861
O caminho da porta, 1863
O protocolo, 1863
Teatro, 1863
Quase ministro, 1864
Os deuses de casaca, 1866
Tu, só tu, puro amor, 1880
Não consultes médico, 1896
Lição de botânica, 1906
Nota: Não foram incluídos na presente lista os diversos textos de crítica e as crônicas publicados em jornais e revistas ao longo dos anos.
Academia Brasileira de Letras
Era Machado o maior nome vivo da Literatura no Brasil, quando um grupo de jovens, capitaneados por Lúcio de Mendonça resolve finalmente pôr em prática a idéia da fundação da Academia Brasileira de Letras nos moldes da Academia francesa. Machado foi seu primeiro presidente, sendo o fundador da cadeira número 23 daquele sodalício.
Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor de O Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis.
Foram ocupantes da Cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras que foi de Machado de Assis, um de seus fundadores e seu primeiro presidente:
Patrono: José de Alencar
Fundador: Machado de Assis
Sucessores:
Lafayette Rodrigues Pereira, o Conselheiro Lafayette, (nascido em Queluz, 28 de março de 1834 — falecido no Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1917). Foi um jurista, proprietário rural, advogado, jornalista e político brasileiro. Segundo ocupante da Cadeira 23, eleito em 1º de maio de 1909, na sucessão de Machado de Assis, tomou posse por carta, lida e registrada na Ata da sessão de 3 de setembro de 1910.
Alfredo Gustavo Pujol - (nascido em São João Marcos, 20 de março de 1865 — falecido em São Paulo, 20 de maio de 1930) foi um advogado, jornalista, crítico literário, político e orador brasileiro. Era filho do educador e tradutor Hippolyte Gustave Pujol e de Maria Castro Pujol. Terceiro ocupante da Cadeira 23, eleito em 14 de novembro de 1917, na sucessão de Lafayette Rodrigues Pereira e recebido em 23 de julho de 1919 pelo Acadêmico Pedro Lessa.
Otávio Mangabeira - (nascido em Salvador, 27 de agosto de 1886 — falecido no Rio de Janeiro, 29 de novembro de 1960) foi um engenheiro, professor e político brasileiro. Foi governador da Bahia. Quarto ocupante da Cadeira 23, eleito em 25 de setembro de 1930, na sucessão de Alfredo Pujol e recebido pelo Acadêmico Afonso Celso em 1º de setembro de 1934.
Jorge Leal Amado de Faria (nascido em Itabuna, 10 de agosto de 1912 — Salvador, 6 de agosto de 2001) é um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Quinto ocupante da Cadeira 23, eleito em 6 de abril de 1961, na sucessão de Otávio Mangabeira e recebido pelo Acadêmico Raimundo Magalhães Júnior em 17 de julho de 1961. Recebeu os Acadêmicos Adonias Filho e Dias Gomes.
Zélia Gattai Amado (nascida em São Paulo, 2 de julho de 1916 — Salvador, 17 de maio de 2008) foi uma escritora, fotógrafa e memorialista (como ela mesma preferia denominar-se) brasileira, tendo também sido expoente da militância política nacional durante quase toda a sua longa vida, da qual partilhou cinqüenta e seis anos casada com o também escritor Jorge Amado, até a morte deste. Sexta ocupante da Cadeira nº 23, eleita em 7 de dezembro de 2001, na sucessão de Jorge Amado e recebida em 21 de maio de 2002 pelo Acadêmico Eduardo Portella.
Luiz Paulo Horta (nascido no Rio de Janeiro em 1943) é um jornalista brasileiro. Faz crítica musical erudita para o jornal O Globo. Sétimo e atual ocupante da Cadeira nº 23, eleito em 21 de agosto de 2008, na sucessão de Zélia Gatai.
Algumas curiosidades sobre o Bruxo do Cosme Velho
Sob a ótica do coronel-médico psiquiatra Luiz Gondim de Araújo Lins, da SOBRAMES-RJ, Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, regional do Rio de Janeiro e da ABRAMES, Academia Brasileira de Médicos Escritores é possível abstrair alguns caracteres psicossomáticos de Machado de Assis.
Vejam estes trechos de sua palestra “Joaquim Maria Machado de Assis –Bruxo do Cosme Velho”, apresentada no XXII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores, em junho de 2008, Fortaleza-CE à qual tive o raro privilégio de assistir:
“Portador de epilepsia, uma doença até hoje muito descriminada, Machado, nos vinte anos que viveu com Carolina, sofreu poucos ataques epiléticos. Após a viuvez, seus males se agravaram,sendo que uma úlcera cancerosa na boca viria agravar o quadro clínico. A medicina psicossomática é algo incontestável: delírios e alucinações foram, não raro, projetados sobre os personagens.
(...) Não se posicionava em definitivo, a favor ou contra a Abolição da Escravatura. Dizia: “eu gosto de liberdade, mas o princípio de propriedade não é menos legítimo”.
(...)Na parte que se refere à loucura, a descrição que Machado fez do personagem Rubião, portador de demência paralítica, é impressionante: alucinações, delírios, megalomania. Poucos psiquiatras à época, conseguiram caracterizar um quadro tão nítido de uma doença, até então, pouco conhecida. O velho romancista, ao se aproximar do fim da vida, denota alarmante espírito de negação e destruição, nítidas tonalidades de depressão, sado-masoquismo intelectual, narcisismo, autismo e auto-referência.”
Em outro trecho de sua palestra, Luiz Gondim destaca algo que talvez poucos estudiosos da vida e obra do Bruxo tenham notado ou abordado: sua verve premonitória. Talvez, se pesquisada, esta possa ser detectada em outros trechos de sua vasta obra, mas pelo menos nestes pontos Gondim já evidenciou essa caraterística:
“1. Na crônica de 7 de junho de 1886, em “A Semana”, foi prevista a fusão da cidade do Rio de Janeiro com o estado do mesmo nome e a construção da ponte Rio-Niterói.
2. Na crônica de 30 de março de 1889, “Diálogos de um Relojoeiro”, sugeriu a mudança da moeda de mil réis para cruzeiro ou cruzado.
3. Declarou que a mulher, no Brasil, deveria votar e entrar para a política, em crônica publicada em 5 de julho de 1894, em “A Semana”.”
Quanto ainda haveria mais a se falar sobre esse ícone da literatura brasileira... Nesta oportunidade, em que se comemoram os 100 anos de sua morte, é vastíssima a publicação em todos os meios disponíveis, sejam eles impressos, televisivos, radiofônicos e especialmente na mais abrangente de todas as mídias atuais, a internet. Não há quem fique sem informação. Basta procurá-la e ela virá com fartura de detalhes e informações. Esta pois, é uma modesta e humilíssima contribuição para o que se poderia falar sobre Joaquim Maria Machado de Assis, dito o Bruxo do Cosme Velho.
Para finalizar esta breve coleta de informações acerca do Bruxo do Cosme Velho, Joaquim Maria Machado de Assis, transcrevo a seguir um trecho de seu discurso durante a fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1887, ocasião em que ele assim revela sua intenção em participar da Academia:
“Senhores, investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou o mais velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança. Não é preciso definir esta instituição. Iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma nova e naturalmente ambiciosa. O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra exige não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda a casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas feições de estabilidade e progresso. Já o batismo das suas cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica, da crítica e da eloqüência nacionais é indício de que a tradição é o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam também aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira. Está aberta a sessão.” - Machado de Assis, 1897
Certamente restará a frustração dos Ir.’.neste momento em que concluo a exposição desta brevíssima pesquisa, sem ter feito uma alusão sequer às possíveis relações deste ícone da literatura brasileira com a Maçonaria. Foi pura precaução! Seria extremamente temerário de minha parte fazer qualquer alusão nesse sentido. Afinal o tempo de pesquisa foi curtíssimo e foi bastante superficial a mirada sobre o muito que existe a se dizer sobre José Maria Machado de Assis, o Bruxo do Cosme Velho.
Bibliografia consultada:
- Lins, Luiz Gondim de Araujo – “Joaquim Maria Machado de Assis – Bruxo do Cosme Velho”, in Anais do XXII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores – Edições Livro Técnico – Fortaleza – CE – 2008
- Enciclopédia Livre Wikipédia - http://pt.wikipedia.org
- Projeto Releituras – Arnaldo Nogueira Jr. - http://www.releituras.com
- Espaço Machado de Assis (da ABL) - http://www.machadodeassis.org.br/
- Academia Brasileira de Letras – ABL - http://www.academia.org.br/
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Apresentado na A.'.R.'.L.'.S.'.Órion nº 465
Oriente de São Paulo
1º de outubro de 2008, por ocasião da comemoração do
Centenário da morte de Machado de Assis
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